terça-feira, 23 de junho de 2009

As sombras de Lotte Reiniger

Quem não se lembra, nas belas tardes proporcionadas por Vasco Granja com o programa Animação, das extraordinárias curtas-metragens com silhuetas? É natural que nem todos se recordem do nome da autora desses teatros de sombras, verdadeiras obras-primas, razão pela qual aqui se apresenta um breve resumo da vida e obra dessa grande senhora que ainda hoje inspira tantos cineastas de animação: Lotte Reiniger.

Nascida em Berlim, a 2 de Junho de 1898, foi influenciada desde a infância pelas sombras chinesas, tendo construído o seu próprio teatro de marionetas, com o qual realizava espectáculos com que surpreendia a família e amigos. Durante a adolescência, nasceu a sua paixão pelo cinema, que cedo cruzou com a arte das sombras chinesas, trabalhando com o grupo de Paul Wegener (realizador de duas versões cinematográficas sobre a lenda do Golem), tendo criado inclusive silhuetas dos actores com quem trabalhava.
Em 1918, Lotte criou os ratos de madeira animados para o filme de Wegener Der Rattenfänger von Hamelin (O Flautista de Hamelin), um sucesso imediato que lhe concedeu a admissão num estúdio de animação experimental, o Institut für Kulturforschung (Instituto para a Descoberta Cultural). A carreira ascendente fê-la colaborar, por exemplo, com o realizador Fritz Lang, nomeadamente na saga cinematográfica Os Nibelungos.
Tentou fugir ao nazismo, andando de país em país, mas sendo sempre obrigada a regressar à Alemanha. Neste período da II Guerra Mundial fez 12 filmes, nomeadamente de óperas. Finalmente, em 1949, conseguiu estabelecer-se em Londres, onde criou curtas-metragens baseadas em contos dos Irmãos Grimm, que ainda hoje permanecem como exemplos fundamentais de genialidade, dedicação e rigor. Lotte faleceu a 19 de Junho de 1981, em Dettenhausen, na Alemanha.
Para visualizar exemplos da sua obra, siga os seguintes links:
Sandra Simões

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