quarta-feira, 15 de julho de 2009

Contra a ditadura da capa dura

A Caminho apresentou ontem à imprensa e a outros meios uma nova colecção que constitui uma autêntica «pedrada no charco» da edição do livro infantil em Portugal. Com a evolução deste segmento na última década, surgiu também a tendência quase inescapável das edições de álbuns em capa dura, uma espécie de statement de qualidade que, por vezes, supera o próprio conteúdo do livro, quer em termos de texto quer de ilustração. Dito de outra maneira: muita parra e pouca uva. José Oliveira, editor da Caminho para a área infanto-juvenil, citou a nossa lista de «Mitos e preconceitos à volta do livro infantil» (ver aqui), referindo justamente essa ideia feita que pretende que «só os livros de capa dura têm valor»…
A nova colecção, denominada Borboletras, pretende reverter este panorama com o lançamento de 11 títulos até ao final de 2009, com tiragens de 5000 exemplares cada. A novidade não reside apenas na opção pela capa mole, mas sobretudo na inequívoca qualidade dos escritores e ilustradores escolhidos, quase todos de origem inglesa e com numerosos prémios no currículo. O preço é, como se costuma dizer, «uma agradável surpresa»: 5,90 euros, metade do que custaria o mesmo título numa edição em capa rija. Com esta forte aposta, a editora quer tornar a colecção acessível a todas as bolsas e colocá-la também à venda nas grandes superfícies, onde as opções neste segmento raramente primam pela qualidade literária.

Os primeiros cinco livros da colecção vão estar nas livrarias a partir de segunda-feira e alguns deles passaram pelas nossas aulas, nas versões originais. Tomem nota: A Surpresa de Handa, de Eileen Browne (texto e ilustrações), a primeira autora a publicar no Reino Unido uma história cuja protagonista é uma criança com uma mãe negra e um pai branco; Aldo, de John Burningham (texto e ilustrações), um livro que fala da importância do «amigo secreto»; Catatuas, de Quentin Blake (texto e ilustrações), interpretação divertidíssima e não literal da relação entre texto e imagem; e ainda dois títulos amplamente premiados, Pinguim e O Bebé que Não Queria Ir Para a Cama, de Polly Dunbar e Hellen Cooper, respectivamente, ambas autoras do texto e das ilustrações.
Até ao fim de 2009 sairão mais seis títulos, à razão de dois por mês. Martin Waddel, Barbara Firth, Lucy Cousins, Petr Horácek e Helen Oxenbury são os nomes na calha, além de Quentin Blake e Helen Cooper, que repetem a presença na colecção Borboletras. Voos altos e felizes, eis o que se espera. E que ninguém diga mais que os livros são «indecentemente caros»…

Carla Maia de Almeida

1 comentário:

Marta disse...

Que boas notícias... Vou ficar ansiosamente à espera destes livrinhos que já tanta falta faziam no nosso mercado!!! Obrigada pela boa nova!