terça-feira, 14 de julho de 2009

Olhó livro fresquinho, fregueses!

A editora Planeta Tangerina vai para o Mercado de Oeiras, dia 16 de Julho, e pelas 19h00 lança ao público duas obras fresquinhas: Andar Por Aí, com ilustrações de Madalena Matoso, e As Duas Estradas, desenhado por Bernardo Carvalho, ambos a apregoar a escrita de Isabel Minhós Martins. Vá lá, é seguir que a festa promete e já só falta um dia!

Vejam! Vejam! Aqui o filme-convite dos próprios, no blogue deles.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Luís de Camões para os mais novos

A Porto Editora lançou recentemente o livro Poesia de Luís de Camões para Todos, com selecção e organização de José António Gomes e ilustração de Ana Biscaia. Segundo informações fornecidas pela editora, «a antologia de poemas camonianos destina-se, preferencialmente, ao público infanto-juvenil e, para facilitar a leitura, assume a liberdade de actualizar algumas grafias antigas, salvaguardando a rima». A ilustração, da responsabilidade de Ana Biscaia, insere-se na linha que distingue a colecção Oficina dos Sonhos, dedicada aos grandes clássicos da literatura e coordenada por José António Gomes, com direcção artística de António Modesto.

Duas notas sobre os autores: José António Gomes é professor de literatura no Instituto Politécnico do Porto e tem trabalhado no âmbito da formação de professores. Colabora em várias publicações como crítico de literatura infanto-juvenil e dirige a Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude. Ana Biscaia nasceu em 1978, estudou Design de Comunicação na Universidade de Aveiro e Ilustração e Design Gráfico em Estocolmo. Obteve uma menção honrosa no Concurso Nacional de Jovens Criativos 2009 da Cidade do Montijo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Alice no País das Maravilhas por Tim Burton

As primeiras imagens de Alice no País das Maravilhas foram reveladas. O elenco é de luxo e integra, além da australiana Mia Wasikowska no papel de Alice, nomes como Johnny Depp interpretando o Chapeleiro Louco, Helena Bonham Carter como Rainha de Copas, Michael Sheen como Coelho Branco, Anne Hathaway como Rainha Branca, Alan Rickman a vestir a pele de Lagarta, Christopher Lee como Jabberwock e Stephen Fry como Gato de Cheshire. Os actores estão praticamente irreconhecíveis na pele das personagens criadas por Lewis Carroll e reinterpretadas pelo realizador Tim Burton. A estreia mundial do filme está prevista para Março de 2010. E promete.

O argumento é assinado por Linda Woolverton (de A Bela e o Monstro e O Rei Leão), que transforma Alice numa adolescente que regressa ao País das Maravilhas, com 17 anos. Na versão agora apresentada, Alice vai a uma festa na qual será pedida em casamento, em frente à alta sociedade vitoriana. Contudo, Alice foge, perseguindo um coelho branco, e ao entrar por uma toca vai parar ao País das Maravilhas, onde tinha estado 10 anos antes, embora não guarde memória deste acontecimento.

Charles Lutwidge Dodgson, escritor e matemático britânico conhecido como Lewis Carroll, nasceu em Inglaterra em 27 de Janeiro de 1832. Foi professor de matemáticas em Oxford e estudioso da lógica matemática. Escreveu diversos relatos, aparentemente de carácter infantil, cuja matéria narrativa se aproxima do absurdo. Foi enquanto professor em Oxford que conheceu Henry Liddell, pai de três meninas – Alice, Lorina e Edite –, a primeira das quais viria a ser a fonte de inspiração para o seu primeiro romance – As Aventuras de Alice no País das Maravilhas - publicado em meados do século XIX. Escreveu ainda outras obras do mesmo género, como Through the Looking-Glass and What Alice Found There, Sylvie and Bruno e The Hunting of the Snark. Lewis Carroll faleceu em Guildford, Surrey, no ano de 1898.

Obra-prima de fantasia da autoria de Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas é um livro de surpreendente originalidade. Alice encontra-se com um coelho branco que caminha pela floresta, sempre a resmungar. Segue-o até à sua toca e cai por um buraco profundíssimo. É então que descobre uma terra de sonho onde encontra inúmeras criaturas e personagens que a vão levar por esse mundo de fantasia – o doce Gato Cheshire, o extravagante Chapeleiro, o Major Lagarta ou as flores falantes.
Poções mágicas e cogumelos misteriosos permitem que Alice assuma diferentes formas até se encontrar no campo de croquet da Rainha de Copas, onde Sir Jack é acusado de roubar tartes. Alice é chamada a testemunhar num cómico julgamento. Mas, antes do fim, Alice desperta bruscamente e descobre que tudo havia sido um sonho. Lewis Carroll serve-se assim da capacidade infantil para observar a realidade com total ingenuidade, utilizando-a para evidenciar aspectos absurdos e incoerentes do comportamento adulto e para animar jogos encantadores baseados em regras da lógica.

Ana Tenente e Magda Costa

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Palco das Artes XI – Gémeo Luís

E segue o nosso Palco das Artes, desta vez inspirado num artista lusitano.
Gémeo Luís é uma figura inovadora no campo da ilustração portuguesa. Cria, por meio do recorte de papel kraft com x-acto, um registo demarcado, quase caricatural, que se alonga no espaço e relata, de forma distintamente expressiva, uma viagem que em muito ultrapassa a palavra e o contorno visual fixados no papel. Utiliza o contraste branco-negro agudizando o drama, instilando o humor irónico, incisivo, terno. Assina a história com o seu cunho pessoal, num devaneio paralelo que exalta sentidos por desvendar.
Associado ao livro que crianças, jovens e adultos lêem com igual curiosidade, persegue com inquietude, na sua intervenção multifacetada, a genuinidade e, revela um fazer eclético, miscigenado de culturas e filosofias, unas na representação da realidade absoluta ou no delinear do sonho difuso e encantatório.

Para aceder ao trabalho da Eugénia Penteado clique aqui.
Para aceder ao trabalho da Sónia Martins clique aqui.

Para saber mais sobre Gémeo Luís clique aqui.
Para aceder ao site das Edições Eterogemeas clique aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

Oficina para pais: como contar histórias

Quem vive no Porto ou no norte do país está em vantagem para fazer esta oficina destinada a pais, educadores e interessados na técnica e arte de contar histórias. Não é um curso profissional, mas, porque há muita gente que gostaria de contar histórias aos seus filhos e não sabe como fazê-lo ou acredita que «não tem jeito para isso», a livraria Salta-Folhinhas e a orientadora Clara Haddad, actriz e contadora, propõem um mini-workshop de uma tarde para aprender a brincar com as palavras.

«Aqui veremos que todos temos a nossa maneira de contar uma história», garantem. «Basta conjugar esse nosso estilo pessoal com algumas técnicas e pronto! Está feita a magia…De uma forma leve e despretensiosa esta oficina vai ajudar os pais a mudarem o ângulo de visão perante um conto.»

Destinada a um máximo de 20 participantes e a um mínimo de 10, a oficina decorre no próximo sábado, 11 de Julho, entre as 15h00 e as 18h00. Custa 25 euros por pessoa. Mas atenção, porque as inscrições terminam já esta segunda-feira, 6 de Julho.
Pode fazê-lo pelo email info@saltafolhinhas.pt. Para quem não sabe, a Livraria Salta Folhinhas fica na Rua de António Patrício, 50 (à Av. da Boavista), e o telefone é o 226 092 214.

Para aceder ao blogue da Salta-Folhinhas clique aqui.
Para saber mais sobre Clara Haddad clique aqui e aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ora tomem lá dois desafios: Histórias para Contar Consigo e Cantastórias, Cantar com Bebés

Dia 10 de Julho às 18h há sessão de contos com Margarida Fonseca Santos e Rita Vilela à volta do livro Histórias para Contar Consigo, na Livraria Bulhosa de Entre Campos, em Lisboa com entrada livre.

...
Este livro, fruto de uma parceria entre as duas autoras, levanta desde o início uma questão: é um livro ou um jogo? 
Começa por ser um jogo, um despique: as escolhas conduzem o leitor, de história em história, num percurso que é seu...e assim, temos:
Histórias que estimulam o imaginário, o sonho, a fantasia….
Histórias que gostamos de contar aos outros…
Histórias que falam sobre realidades e problemas que conhecemos bem….
Histórias que talvez façam pensar…, 
As histórias vão mudando e, quem sabe, no fim do livro, talvez o leitor também tenha mudado…

Pronto para o desafio? 
Esta é a primeira questão que terá de responder.
Logo, logo a seguir, no dia 11 de Julho às 10h e as 11h30, Cantastórias, Cantar com Bebés, um espectáculo de música para crianças dos 12 meses aos cinco anos, inspirado no livro do mesmo nome, com muitas cantigas, lengalengas, ternura e sorrisos.

As canções são de Margarida Fonseca Santos, as orquestrações do Francisco Cardoso e os músicos são Carlos Garcia, Elmano Coelho, Nina Repas e Paulo Carvalho. 
Para ver no Cine Teatro Gymnásio - Espaço Chiado, Rua da Misericórdia 12, Lisboa.

Bilhetes à venda em: Ticketline, Bulhosa, Worten, Dolce Vita, El Corte Inglés e na Bilheteira do teatro

Para mais informações espreite aqui.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dali: Sonhos de Literatura e Escultura

Foi com a exposição Dali: Sonhos de Literatura e Escultura que abriu, finalmente, as portas o Palácio do Egipto, no dia 25 de Junho deste ano, no centro histórico de Oeiras.  

Depois de mais de 20 anos fechado ao abandono e obras, como não há mal que sempre dure, o belo edifício do séc. XVIII transformou-se, assim, num dos mais recentes centros culturais do município, inaugurando com esta exposição de Salvador Dali, onde podemos apreciar a sua mestria no trabalho gráfico e em diferentes constantes pictóricas.  
Sobressaem as extraordinárias relações do artista com a Literatura e Arte e, claro, os seus grandes dotes de desenhador. Encontramos desta forma reflexos de toda a tradição literária, desde “A Conquista do Graal” ou “As Idades do Homem” ao mais puro estilo do imaginário medieval, contos como “Alice no País das Maravilhas”, “Gargântua e Pantagruel” até fabulações de “Tricórnio” e “Pater Noster”. 

As esculturas, apresentadas em tamanho monumental, médio e pequeno, representam mais um alarde do imaginário de Dali. Nelas se retrata a transgressão de uma visão criativa do mundo que tem como ponto de partida o surrealismo (Elefante Cósmico ou Dragão-Cisne) transportando-nos para espaços contemplativos mais clássicos onde aparece a inquestionável musa (Gala à Janela) como que a equilibrar uma realidade mutante, um regresso ao mundo religioso (São Carlos Borromeo e Cristo) e de mitos conhecidos (Divindade sobre Delfim). 

Se perdeu a inauguração pode e deve visitar demorada e merecidamente a exposição até dia 15 de Setembro de ano.
Do que é que está à  espera? 

Morada: Rua Álvaro António dos Santos – Vila de Oeiras (entre a Rua Comandante Cordeiro Castanheira, o Mercado de Oeiras, a Igreja Matriz e o Quartel dos Bombeiros). 

Para saber mais sobre a exposição clique aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Hassan Amekan: a arte de ilustrar do Irão

Os mais atentos recordar-se-ão do nome de Hassan Amekan, ilustrador de origem iraniana que integrou a exposição colectiva de artistas portugueses e estrangeiros, entre Fevereiro e Março de 2008, no Auditório Municipal Augusto Cabrita (Barreiro).  
Nascido em 1979, Hassan Amekan, ilustrador, pintor e animador, tem publicados mais de 15 livros para crianças, também em países como a França, Reino Unido, Índia e Estados Unidos. Já passou pela Bienal de Ilustração de Bratislava e, noblesse oblige, pela Feira do Livro Infantil de Bolonha, em 2007. Em Teerão, ganhou o Grande Prémio do concurso Illustration Competition of Children’s Magazine 2005, entre outros. Para além disso, fundou, juntamente com o irmão, o Blue Book Group, um projecto independente que reúne e divulga o trabalho de ilustradores de todo o mundo.

Para aceder ao blogue do Blue Book Group clique aqui. 

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Festival Ondas de Contos

Convido-vos a virem assistir ao fantástico Festival Ondas de Contos da Biblioteca Municipal de Oeiras, que acontece esta sexta-feira, dia 26 de Junho, a partir das 21h00 na Praia da Torre, em Oeiras.
Este festival faz parte do projecto «histórias de ida e volta» da Biblioteca de Oeiras e contará com a participação dos novos contadores da biblioteca, dos velhos (que não são assim tão velhos…) e do grande Thomas Bakk, além do Sebastião Antunes Trio e dos CoCoronFonFinFuoc, na parte do malabarismo com o fogo.

Será uma noite de palavras e de contos, de imaginação e de bocas abertas, de palmas e música.
Tragam roupa quentinha, uma manta, ouvidos e peito aberto preparados para uma noite inesquecível, ao abrigo das estrelas, embalados pelo mar e encantados pela palavra dos contadores.

Ana Lage

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Luísa Dacosta e a multiplicação da vida

Na passada segunda-feira, a primeira conferência da noite coube à escritora Luísa Dacosta. Uma mulher linda, com uma agilidade invejável e uma firmeza de carácter consolidada pelos 82 anos de uma vida que dedicou à pedagogia e à literatura. Uma excelente professora que partilhou connosco o seu projecto actual, com o título «A leitura e a multiplicação da vida», um trabalho que encara como dívida aos seus alunos – e serão muitos!

Com grande clareza, leu-nos Simone de Beauvoir, para quem o texto literário nos dá «uma verdade que se torna nossa sem deixar de ser alheia» e, continuando pelas palavras de Luísa, é o único que nos possibilita experiências de vida sob protecção, funcionando como «uma segunda placenta». O deslumbramento pela literatura, pela possibilidade de viver o outro sendo ainda nós próprios, mereceu-nos um exemplo de vida digna e o conselho de pedirmos sempre o melhor de tudo, em tudo! Decorar textos de que se gosta, que se tornam nossos, que ninguém nos pode tirar, é integrar em pleno a literatura. Esta integridade da escritora, em todas as leituras possíveis da palavra, é visível na maneira como conta, impossível de dissociar daquilo que conta. O que aprendemos ser válido para Luísa Dacosta e para qualquer escritor, pois é desta coerência que se define o estilo.

Tal como caracteriza o texto literário, é com paixão, emoção e veemência que sempre trabalhou. Ao contrário do texto informativo, que só passa a mensagem, da banda desenhada que encerra somente a acção e encurrala o discurso na ausência de descrição, a literatura portuguesa, de Eça de Queirós a Fernando Pessoa, pela voz de Luísa Dacosta, foi a prova viva de que o texto literário não tem limites temporais nem espaciais, antes proporciona experiências e multiplica a vida, através dos seus leitores. Ali, na Sala Brasil, vivemos intensamente um fim de tarde de janela aberta, com cheiro a flores que vinham de outro país e notícias de outro tempo, mas intemporais como a escrita de Eça de Queirós. Para lá do valor literal da palavra, muito além, mas sempre disponível, está o seu imenso valor simbólico.

E depois das aulas, a escrita. A redacção de textos literários porque a «Selecta» se lhe apresentava insuficiente, e o gosto pela palavra escrita e a inesgotável capacidade de fixação, preservação e partilha de um estilo. Entre outros, foi-lhe atribuído o Prémio Máxima de Literatura, pelo seu livro Na Água do Tempo – Diário; recebeu o Prémio Uma Vida, Uma Obra, instituído pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com o apoio da Delegação Regional de Cultura do Norte; o seu livro O Príncipe que guardava ovelhas foi distinguido pelo IBBY como «um excepcional exemplo de literatura de interesse internacional»; e, numa edição de autor, Isabel A. Ferreira dedicou-lhe a biografia Luisa Dacosta: «No Sonho, a Liberdade...».

São mais de 30 os títulos que escreveu e aguardamos para breve a publicação da História com recadinho, com ilustrações da também premiada Cristina Valadas, que lhe valeu algumas críticas negativas à data da primeira edição, por ir contra a corrente dos «bons costumes» de escrita da época, e que agora receberá outra luz pois multiplicará a vida em novos leitores.

Pode ler um pouco mais sobre Luisa Dacosta na Wikipédia , e aqui no blogue A mulher a e poesia.
Helena Gonçalves