segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mitos e preconceitos à volta do livro infantil

No módulo de Edição do curso de Pós-Graduação em Livro Infantil fomos desafiados pela docente Isabel Minhós Martins (uma das mentes criativas da editora Planeta Tangerina) a alinhar num papel alguns dos preconceitos mais comuns que existem à volta do livro infantil. E são muitos. Ideias erradas, superficiais e generalistas que tomam a forma de verdades absolutas, reproduzindo-se nos leitores, na crítica, nas instituições e na própria comunidade produtora, sejam escritores, ilustradores ou editores. O que se segue é a síntese desse exercício, enumerada em tópicos pela nossa colega Paula Guerra. Para ler, acrescentar, contestar e, sobretudo, reflectir:

Preconceitos quanto ao objecto “livro”:
- só os livros de capa dura têm valor;
- os livros mais finos, de capa mole, não valem a pena;
- não valem o investimento porque podem ser lidos rapidamente numa livraria;
- os livros infantis não valem mais que 5 euros.

Preconceitos quanto ao conteúdo (texto e ilustração):- os livros infantis são um género menor dentro da literatura;
- são livros fáceis, de conteúdo directo;
- têm uma estrutura interna formatada (no sentido de ser rígida: introdução, desenvolvimento e conclusão);
- devem imitar as obras para adultos;
- é mais importante o texto do que as imagens;
- deve haver uma correspondência directa entre o texto e a imagem;
- as ilustrações devem ser figurativas;
- há temas tabu;
- as imagens não podem ser assustadoras;
- devem ser coloridas, com recurso a cores “bonitas” (ausência de cores escuras e, em especial, de negro).

Preconceitos quanto ao público a quem se destinam:
- destinam-se unicamente às crianças, ou seja, têm um público-alvo pré-determinado e bem definido (faixa etária);
- os livros têm uma classificação por género, ou seja, há livros para rapazes e livros para raparigas;
- os pais não lêem livros aos filhos ou não os compram porque as crianças não percebem, não lêem ou não sabem ainda ler; ou então porque as crianças preferem outras coisas;
- os próprios pais não têm tempo para ler aos filhos.

Preconceitos quanto à autoria:
- são assinados por escritores menores e ilustrados por aqueles que não conseguiram ser pintores;
- qualquer pessoa pode escrever um livro para crianças;
- é fácil ilustrar um livro para crianças;
- os livros para crianças não precisam ter grande qualidade global;
- o autor e o ilustrador não têm que estar em contacto, quando fazem o livro;
- os livros infantis são parte de um universo feminino (são as mulheres que se interessam por eles).

Preconceitos quanto aos objectivos:- os livros infantis têm objectivos didácticos e pedagógicos;
- o grande objectivo dos livros infantis é a transmissão de uma moral;
- a sua concepção obedece sempre a uma finalidade;
- não proporcionam uma leitura literária.

A seguir: “Medidas possíveis para combater preconceitos”.

3 comentários:

sal disse...

comentário aqui: http://prateleira-de-baixo.blogspot.com/2009/05/post-comentario.html

angelina maria pereira disse...

Achei muito interessante este levantamento de preconceitos em relação ao livro para os mais novos. Gostaria de focar um aspecto que tem a ver com o suporte físico, o formato, a capa... Por que razão os nossos editores não copiam as boas práticas do mundo anglo-saxónico (pelo menos) que publica a mesma obras em 2 formatos: A3/A2 e A4/A5.Sabemos quão importante é a leitura do adulto para os mais pequenos que, sentados (no chão da biblioteca escolar ou pública) podem ver, perfeitamente, as ilustrações especialmente feitas para poderem ser 'lidas' por eles!

Fir disse...

Um bom trabalho, esta lista de preconceitos.
Gostaria só de acrescentar que alguns preconceitos, como o da «capa dura», se aplicam também a livros para adultos. Infelizmente.